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'Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos', diz família que achou poço de petróleo em sítio no Ceará

'Fiquei muito satisfeito', diz agricultor após confirmação de petróleo em sítio no Ceará A confirmação de que o líquido encontrado no sítio em Tabulei...

'Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos', diz família que achou poço de petróleo em sítio no Ceará
'Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos', diz família que achou poço de petróleo em sítio no Ceará (Foto: Reprodução)

'Fiquei muito satisfeito', diz agricultor após confirmação de petróleo em sítio no Ceará A confirmação de que o líquido encontrado no sítio em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é realmente petróleo chegou por e-mail, no fim da tarde desta quarta-feira (20), para a família do agricultor Sidrônio Moreira. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) enviou orientações sobre a nova fase que se inicia: o processo para avaliar se será possível extrair o petróleo encontrado no local. O achado do petróleo foi feito por Sidrônio Moreira em 2024, quando perfurava o solo em busca de água. Nesta quarta-feira (20), os familiares receberam dois documentos com atualizações da ANP. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Ao g1, o gerente de vendas Saullo Moreira, filho de Sidrônio, explicou que a família tem expectativas de que a exploração comercial do petróleo encontrado no sítio seja possível, embora compreenda que ainda existe um longo processo pela frente. “Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos e movimentações relacionadas à descoberta. Nossa esperança é que, se tudo avançar positivamente no futuro, possamos ter algum retorno que nos ajude financeiramente”, afirmou Saullo. Para tentar encontrar água no terreno, Sidrônio havia contratado um empréstimo de R$ 15 mil para pagar pela perfuração do solo. Em reunião com o banco, ele conseguiu o adiamento da cobrança da dívida por um ano. Ainda conforme o filho de Sidrônio, os familiares compreendem que a confirmação do petróleo encontrado é apenas o início de um processo mais longo até uma futura exploração comercial, incluindo fases de estudos e avaliação técnica. “Ainda é um caminho longo e sem prazo definido para conclusão. Somente após todas essas etapas, e dependendo dos resultados positivos ao longo do processo, é que pode existir algum retorno financeiro”, relatou Saullo. Ele explicou, também, que a propriedade do sítio continua sendo da família de Sidrônio. No entanto, os recursos minerais e o subsolo pertencem à União. O agricultor não será dono do petróleo encontrado em suas terras. Ainda assim, ele poderá receber um percentual de até 1% se houver exploração comercial futura (entenda abaixo). ANP fará avaliação técnica Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP Gabriela Feitosa/g1 Ceará Com a confirmação de que o material encontrado em Tabuleiro do Norte é petróleo, a ANP deve iniciar agora uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A agência destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e que não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente. Antes da fase de exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação, obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. "A partir do resultado da análise, a ANP abriu um processo administrativo com a finalidade de promover a avaliação técnica da área e de seu contexto geológico, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão (principal modalidade atual de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás)", disse a agência por meio de nota. "A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP como também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios". Sidrônio e família ao lado de primeiro poço perfurado para obter água. Gabriela Feitosa/g1 A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Agora, no dia 19 de maio, a ANP concluiu os testes físico-químicos. Os resultados confirmaram que a substância é petróleo cru. De acordo com a ANP, o resultado também foi enviado nesta quarta-feira (20) para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semcae), "que poderá avaliar a necessidade de medidas e/ou orientações ao proprietário sobre aspectos relacionados a questões ambientais". Os técnicos da ANP não colheram uma amostra no local, mas levaram uma amostra feita pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início. Ao g1, a equipe da agência disse que o achado causou espanto na equipe, pois é incomum que líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa (40 metros). Infográfico: Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP Arte/g1 LEIA TAMBÉM: Agricultor pode ter lucro com petróleo encontrado em sítio no Ceará? Entenda o que acontece após confirmação da ANP Agricultor que encontrou possível petróleo ao perfurar poço consegue adiar dívida de R$ 15 mil com o banco: 'Alívio' Agricultor que achou possível petróleo no Ceará ao perfurar poço artesiano volta a receber água encanada e comemora Descoberta por acaso A substância foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento da família — que não possui água encanada em casa. A ideia era formar um poço artesiano na propriedade. No lugar da água, Sidrônio viu jorrar um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível. 📍 Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço (veja no vídeo acima). Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo. Após a descoberta do líquido, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que começou a investigar o caso. Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação, porém, foi feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que possui a competência oficial para avaliar o material. A ANP orientou que a área deve ficar isolada e que os moradores devem evitar contato com o material, pois pode trazer riscos. Os técnicos também disseram que ninguém mais pode acessar o poço e outras amostras não devem ser retiradas por ora. Enquanto aguardava o laudo do órgão, a família seguia com problemas de acesso à água. No fim do mês de março, a família de Sidrônio voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que funcionou por um bom tempo, mas não estava sendo suficiente. Com a repercussão do caso, a adutora voltou a atender a família do agricultor. Longo processo A ANP é responsável, no Brasil, por regular e fiscalizar todas as etapas da exploração de petróleo no país, desde a descoberta até o início do processo de extração. Nestes casos, após a descoberta de uma possível jazida, é feita uma notificação ao órgão, que pode iniciar estudos para averiguar se, de fato, há petróleo na região, em que quantidade e de qual qualidade. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. "Algumas regiões eles já têm muito bem mapeado. Regiões que existem estudos, especialmente os estudos geológicos, onde eles fazem análises físicas para ver o fato, como é que está o subsolo, para avaliar o tamanho do poço, do reservatório. Quando eles reúnem essas informações, informações econômicas, de impacto ambiental, eles tramitam um processo de enquadramento daquela área, como um novo bloco a ser colocado em operação", explicou o engenheiro Adriano Lima, que ajudou a família de Sidrônio a contatar a ANP. Engenheiro Adriano Lima comenta próximos passos após confirmação de petróleo no Ceará Muitas vezes, ocorre de uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrair interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, a dificuldade de extração, o custo da instalação da operação ou mesmo a baixa qualidade do petróleo, que exigiria mais gastos no processo de refino. Portanto, mesmo com a formação de um bloco de exploração, há a possibilidade de ele nunca ser arrematado para exploração. "O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter", aponta Adriano Lima. "O retorno tem que estar relacionado à qualidade do óleo que ele vai extrair e à quantidade, à duração, o tempo que ele vai conseguir produzir". Na foto estão Sidney Moreira (esquerda) e Sidrônio Moreira (direita) no sítio onde moram em Tabuleiro do Norte. Gabriela Feitosa/g1 Sidrônio buscava água, mas encontrou líquido preto e denso. Gabriela Feitosa/g1 Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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