‘Quando acordei, eu estava na beira do mar, desnorteado’, diz homem que denuncia ter sido espancado por seguranças em barraca de praia em Fortaleza
Confira relato de homem que denuncia ter sido espancado em barraca da Praia do Futuro Adilson Alves Viana, de 53, denuncia ter sido espancado por seguranças de ...
Confira relato de homem que denuncia ter sido espancado em barraca da Praia do Futuro
Adilson Alves Viana, de 53, denuncia ter sido espancado por seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza, na manhã da terça-feira (13). Em relato à TV Verdes Mares, ele comentou que não sabia o que estava acontecendo quando foi agredido (confira no vídeo acima).
Natural da Bahia e morando há cerca de dois anos em Fortaleza, Adilson estava sozinho no local. Ele ficou com vários hematomas pelo corpo, além de ficar com o dente quebrado e um corte no rosto.
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Conforme boletim de ocorrência registrado no 2º Distrito Policial, ele tinha saído do mar e estava caminhando em direção ao local onde havia deixado a motocicleta quando foi abordado por quatro seguranças do Complexo Crocobeach, que o acusaram de roubar uma bolsa.
“Eles [homens usando roupas pretas] chegaram com um pedaço de mangueira, um objeto tipo uma mangueira, alguma coisa assim desse tipo, que eu não vi direito… Eu fui desacordando já (...). Quando eu acordei, eu estava na beira do mar, sem saber o que tinha acontecido, desacordado, desnorteado”, contou Adilson.
Ele afirmou que as agressões ocorreram mesmo depois de ter negado ser o autor do suposto furto. Segundo Adilson, um dos seguranças aplicou o golpe do ‘mata-leão’. Após acordar na praia, ele tentou voltar à barraca para utilizar o banheiro.
“Aí chegou o segurança que me ‘desmaiou’ e me botou para fora de novo. (...) Tentei conversar com ele, ele não deixou, nem conversou e nem nada, me botou para fora de novo. E eu fiquei sem saber o que estava acontecendo”, contou em entrevista.
Em nota, a barraca Crocobeach disse que "lamenta profundamente a situação e se solidariza com a pessoa envolvida e seus familiares neste momento difícil, desejando que encontrem apoio e acolhimento".
A empresa acrescentou que repudia atos de violência e que colabora com as autoridades para investigar. Ainda de acordo com a nota, o estabelecimento “tomou conhecimento do episódio de agressão que vem sendo noticiado nas proximidades da barraca”. A barraca afirmou que acompanhará o caso, preservando a apuração dos fatos (leia a nota na íntegra abaixo).
Ajuda dos familiares
Esposa de homem agredido na Praia do Futuro relata sofrimento da família
Após sair da barraca bastante ferido, ele conseguiu se comunicar com os familiares, que foram ao local e levaram Adilson para uma Unidade de Pronto Atendimento (Upa). De lá, ele foi encaminhado ao Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), onde passou por exames.
À TV Verdes Mares, a esposa de Adilson, Maria Daniele Alves dos Santos Viana, de 47 anos, relatou que mal conseguia entender a fala do esposo no momento em que recebeu a ligação (confira no vídeo acima).
“Isso aí que aconteceu com ele é uma agressão familiar, foi todo mundo afetado. Todos os filhos, os meus irmãos, eu, a nossa família que está na Bahia, todo mundo muito preocupado. E a gente queria que eles dessem uma resposta por que isso aconteceu. Porque foi um ato de racismo, foi um ato de preconceito, porque nós já frequentamos a barraca várias vezes”, afirmou Daniele.
O casal morava com os filhos na Bahia e, há dois anos, se mudou com a família para Fortaleza. Eles passaram a trabalhar com venda de comidas e água. Mesmo morando em outro estado, Adilson vinha com frequência para o Ceará nas férias e costumava frequentar o estabelecimento.
Daniele acredita que o marido, sendo um homem negro e que estava sozinho, levantou a desconfiança dos seguranças.
"Meu esposo é um homem íntegro, pai de família , trabalhador. Nunca teve qualquer problema com justiça, porque sempre foi muito reservado, calado e calmo.[...] Pedimos que a Justiça seja feita, que encontrem as pessoas que fizeram isso com ele", falou a esposa da vítima.
Conforme apuração da TV Verdes Mares, a advogada de defesa de Adilson afirmou que uma filha dele chegou a procurar o estabelecimento após a agressão, tendo recebido a resposta de que os agressores não eram vinculados à barraca.
A defesa também informou que solicitou à polícia imagens de câmeras de segurança da região que possam ter registrado a agressão contra Adilson.
Em nota, a Polícia Civil informou que o 15º Distrito Policial está à frente das investigações.
Adilson Alves Viana denuncia ter sido agredido por seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza
Reprodução/TV Verdes Mares
Veja a nota da barraca Crocobeach na ínt
"A Crocobeach tomou conhecimento do episódio de agressão que vem sendo noticiado nas proximidades da barraca. A empresa lamenta profundamente a situação e se solidariza com a pessoa envolvida e seus familiares neste momento difícil, desejando que encontrem apoio e acolhimento. Estamos inteiramente à disposição das autoridades e da família.
A Crocobeach repudia qualquer forma de violência ou discriminação. Desde que soube do caso, está colaborando com as autoridades policiais e permanece à disposição para prestar esclarecimentos e fornecer as informações necessárias à apuração.
As circunstâncias estão sendo apuradas pelas autoridades competentes. A empresa acompanhará o caso com responsabilidade e respeito a todos os envolvidos, preservando a apuração dos fatos."
Adilson Alves Viana, de 53 anos, natural da Bahia, denunciou que foi agredido por seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza, na última terça-feira (13).
Arquivo pessoal
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