Vereadora foi assassinada por retaliação à morte de outro homem em meio a briga política no Ceará, diz MP
Vídeo mostra execução de vereadora Cely Arrais, em Aiuaba. A vereadora Jucely Alves Arrais foi morta em meio a um conflito familiar e político em Aiuaba, no int...
Vídeo mostra execução de vereadora Cely Arrais, em Aiuaba.
A vereadora Jucely Alves Arrais foi morta em meio a um conflito familiar e político em Aiuaba, no interior do Ceará. A morte de Cely Arrais, como era conhecida, teria sido motivada por retaliação à morte de um homem que fazia parte de um grupo político rival, conforme denúncia do Ministério Público do Ceará. Cinco homens foram denunciados pelo crime, nesta quarta-feira (21).
O g1 teve acesso à denúncia. O MP disse que a morte da vereadora está inserida em "uma sequência de crimes violentos, relacionados a conflitos familiares, políticos e econômicos na região do Sertão dos Inhamuns".
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O pai de Cely, Júlio Luis Arrais, foi assassinado em 2001, na cidade de Pio IX, no Piauí. A região do Sertão dos Inhamuns, no Ceará, fica na divisa com o Piauí.
Conforme o MP, um dos autores da morte de Júlio Luis Arrais seria Marcos Antonio Solano Feitosa, conhecido como "Marcos Baladeira". Ele foi assassinado em 22 de outubro de 2016, no município de Campo Sales, vizinho a Aiuaba.
O MP relatou que familiares de Marcos suspeitaram que a morte dele teria sido encomendada por um grupo político em que estava incluída Cely; e passaram a fazer ameaças aos rivais. No dia 21 de fevereiro de 2017, ela foi morta a tiros na zona rural de Aiuaba.
Grupo denunciado
Cely, que tinha 35 anos, foi morta a tiros dentro da casa onde morava, em uma fazenda na zona rural da cidade.
Reprodução
Cely Arrais, que tinha 35 anos, foi morta a tiros dentro da casa onde morava, em uma fazenda na zona rural da cidade.
Cinco homens foram denunciados pela morte da vereadora, mais de 9 anos após o homicídio.
O crime foi flagrado por câmeras de segurança (veja no topo da reportagem). Cely foi assassinada no distrito de Bom Nome, na zona rural de Aiuaba. Os denunciados são:
Antônio Eldo Nogueira de Sousa, conhecido como "Eldo" ou "Eldo do Felipe", de 44 anos, denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe ou pagamento e por um meio que dificultou a defesa da vítima;
Francisco Elton da Silva Sousa, conhecido como "Teta" ou "Teta do Felipe", de 43 anos (irmão de Eldo), denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe ou pagamento e por um meio que dificultou a defesa da vítima;
Antônio Neves Pereira, conhecido como "Sr. Tonho" ou "Totonho", de 57 anos, denunciado por integrar organização criminosa armada e homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima;
Francisco André Gonçalves Feitosa, de 36 anos, denunciado por integrar organização criminosa armada e homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima;
Antônio de Araújo Chaves Neto, conhecido como "Tonho da Ronda", de 50 anos, denunciado por integrar organização criminosa armada.
O g1 não localizou as defesas dos acusados.
A denúncia do MPCE foi baseada em imagens de câmeras de videomonitoramento da região e em material extraído de aparelhos celulares apreendidos com os supostos envolvidos.
Sequência de homicídios
No ano anterior à execução da vereadora, em 2016, José Valmir de Sousa, cunhado de Jucely e também vereador de Aiuaba, foi morto a tiros durante a campanha eleitoral, após participar de um comício no Distrito de São Nicolau.
No mesmo dia, um agricultor, identificado como Pedro Lopes, foi morto também a tiros pelo filho de José Valmir. A Polícia descartou ligação entre os casos.
Populares informaram, contudo, que o lavrador estava comemorando a morte do pai do suspeito no momento da execução.
No ano de 2017, em janeiro, o irmão da parlamentar, identificado como Jeleudy Arrais, foi assassinado no município Pio IX, no Piauí.
Em março, no mês seguinte, o marido da vereadora, identificado como Josa Arrais, foi morto no bairro Bela Vista.
Já em abril, Graciliano Bezerra, irmão do presidente da Câmara de Vereadores de Aiuaba, Narcélio Bezerra, foi morto em um lava-jato da região.
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